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domingo, 12 de dezembro de 2010

Resenha | METRÓPOLIS (Osamu Tezuka)

1 comentários
Olá pessoal, primeiro queria me desculpar por demorar a postar novamente, mas eu tive que me ocupar fazendo meu Trabalho de Conclusão de Curso que entreguei a versão final nesta sexta-feira.

Pois bem, agora estou livre, leve, solta, formada (praticamente falta só o canudo XD) e desempregada. Então estou aqui para começar minha enxurrada de postagens sobre as coisas que tenho lido/visto nos últimos tempos. Nada melhor do que começar com uma grande obra do Mangá no Kami-sama (Deus do Mangá), Osamu Tezuka. Hoje falarei sobre Metrópolis.








A versão brasileira de Metrópolis foi traduzida e publicada pela NewPOP Editora. Ele foi lançado há algum tempo, e é o primeiro mangá da editora que compro e leio. Meu primeiro contato, logo na loja, foi de curiosidade de ver como ele era, por que já de cara se repara no fato da capa ser mais dura do que as que eventualmente tem por aqui, mas diferente da capa normal da JBC, que é fina, esta é mais grossa e maleável, e contém orelhas, como se fosse um livro, ou uma graphic novel. Outro exemplo desse tipo de capa e bom preparo externo/interno é o de Miyuki-chan in Wonderland, que tem o selo de graphic novel da Editora JBC.

Após chegar em casa, comecei a analisar o mangá por dentro e percebi detalhes muito bons, como a qualidade boa do papel, que não é aquele papel básico da JBC que irrita todo mundo (menos a mim, que imagino os meio Tankōbon como apenas uma amostra do que deveria virar futuramente Tankōbon inteiro), e com uma impressão linda. Como sou da área de Artes, eu achei maravilhoso ver um trabalho, ainda mais um Tezuka, que se pudesse olhar com tanta nitidez as retículas. Os detalhes são estupendos, o que fez subir muito o conceito da NewPOP que já era alto pelo que ouvi falar dela já previamente.






Sinceramente, eu não sabia como era o estilo Tezuka de fazer mangás, e me surpreendi com o que achei dentro deste one-shot, que, por acaso, não tem divisão por capítulos. É um verdadeiro capítulo único.

Notei vários aspectos que devem ficar em outras obras (pelo menos as da mesma época do que estou falando =P) como o nonsense, sim, aquela coisa que parece sem sentido e louca. Eu tive essa impressão em várias partes, como quando o Michi aperta o dr. Lawton desmaia, e o garoto diz "vou aproveitar pra ir lá fora brincar", sem ao menos se preocupar com o pai (ele achava que era naquela parte da obra).

Outras coisas que observei foi a despreocupação do Osamu Tezuka em fazer referências ou se utilizar de coisas que já existentes pra lhe dar idéias para suas obras. Como os ratos gigantes com nome de  Mikimaus Waltdisneus, uma citação nada discreta, não acham? (sem falar que Sherlock Holmes apareceu no meio da trama como personagem! XD) Além de ter a fala na página 120 "Se quiserem detalhes, terão que perguntar para as pessoas que estão lendo este mangá.". Além dessas referências, ele mesmo admitiu no posfácio que o character design do Michi, versão masculina e feminina respectivamente, serviu de base para o Astroboy e para Safire (A princesa e o cavaleiro).

Além disto, é fácil notar como Tezuka era um intelectual. Nesta obra, que tem caráter caricato em seu geral, trata de assuntos que até hoje são discutidos: os pontos negros, que podem facilmente ser relacionados com o aquecimento global, e o desenvolvimento da ciência e o rumo da humanidade, que, como o próprio Tezuka coloca dentro de seu mangá "Mas será que não vai chegar o dia em que os humanos vão se desenvolver tanto a ponto de se extinguirem com sua própria ciência?"

Por fim, destaco a capacidade de Tezuka formar um final inesperado, sem medo de fugir do comum e de causar estranheza a quem lê. Dado a isso, e muitas outras coisas que encontrei dentro desta obra, digo que sou atualmente mais uma apaixonada pelo trabalho de Osamu Tezuka, o eterno Mangá no Kami-sama.

Obrigado por lerem, e desculpem se pareci um pouco mais técnica, mas acho que estou atualmente acostumada demais a escrever assim devido ao meu TCC (=P)
Até logo! o/

domingo, 1 de agosto de 2010

1 Litro de Lágrima e os Mangás no Brasil

2 comentários
Os mangás no Brasil seguem um esquema padrão? Algum estilo fixo, que faz mais sucesso? Talvez a solução para este "problema" (porque para mim, ler apenas shounens de luta é um problema) seja o que a NewPOP Editora esteja dando oportunidade: Mangás inspirados em casos reais/que tenham versão dorama.
Uma das grandes cenas do Dorama

Não é de hoje que tenho visto algumas séries (normalmente romances ou comédias) com atores reais, os chamados doramas. Estas séries normalmente são baseadas em animes/mangás, mas há o caso específico da série que irei falar aqui, que foi com base em um livro Best Seller com história verídica.

Estamos falando de 1 Litro de Lágrimas (Ichi rittoru no namida), é a história real de uma garota japonesa que tem uma doença sem cura. Infelizmente ainda não li o mangá, mas o dorama (que considero o melhor entre os que já vi), conta a história da menina desde os primórdios da sua doença, até seus últimos dias. Para qualquer um, mesmo por saber o óbvio e comovente final desde o início da série, é impossível manter-se inerte a trama.

Fotos reais da Protagonista

Este tipo de trama, que tem toda sua riqueza por ter sido escrita pela própria eferma até seu fim, tem seu destaque por fazer seu leitor/espectador pensar, sair da inércia que estamos acomodados. Todos os shounens básicos que lê-mos apenas para passar o tempo (pois eles nada mais fazem do que isso) ganham um destaque idêntico as novelas que tantos brasileiros amam, enquanto esta obra prima está no nível de todas as artes que apenas os que seguem este foco de estudo dão valor. Muito pior, o digo, pois no Brasil, nem os artistas dão o valor o qual os mangás merecem (digo isto sendo eu uma quase formada artista visual).

1 Litro de Lágrimas, apesar de uma linda e triste história, não recai aos velhos apelos das novelas e shoujos de garotinhas escolares. Neste momento de re-invenção dos mangás no Brasil, acho que nada melhor do que estórias seinen/josei (para jovens adultos) para aguçar o faro e acordar para a vida nossos jovens leitores como a NewPOP está fazendo com este título.

Capa de 1 Litro de Lágrimas da NewPOP Editora